Resumo
O objetivo deste ensaio é refletir criticamente sobre o papel estratégico da enfermagem na atenção especializada à população trans no Sistema Único de Saúde, problematizando a estagnação quantitativa da categoria na proposta do Programa de Atenção Especializada à Saúde da População Trans (PAES-Pop-Trans). O percurso metodológico caracteriza-se como um ensaio teórico-reflexivo crítico que articula o resgate normativo do Processo Transexualizador a referenciais de tecnologias em saúde e teorias de enfermagem. A discussão evidencia que a enfermagem atua como a linha de frente dos ambulatórios, sendo insubstituível no acolhimento dialógico (tecnologias leves), na mitigação da transfobia institucional, na consulta sistematizada e na complexa farmacovigilância da hormonização. Contudo, apesar da ampliação clínica proposta pelo PAES-Pop-Trans, o documento apresenta uma grave contradição ao expandir equipes, mantendo estagnado o quantitativo de enfermeiros em apenas um profissional e, ainda, excluir o nível técnico. Conclui-se que essa subvalorização ameaça a viabilidade e a segurança clínica da política. Urge a articulação de entidades de classe pelo redimensionamento quantitativo da profissão na publicação do programa, garantindo um cuidado emancipador e integral.
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