Resumo
Objetivou-se analisar a tendência temporal das notificações de toxoplasmose congênita no Brasil entre 2019 e 2024, investigando o comportamento dos casos, critérios diagnósticos, desfechos e desigualdades regionais e sociodemográficas. Trata-se de estudo ecológico, descritivo, de série temporal, baseado em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizados pelo DATASUS. Entre 2019 e 2024, registrou-se aumento de 151% no número de casos notificados, com crescimento mais acentuado a partir de 2022 e média anual 107% superior no período pós-pandêmico (2022–2024) em comparação ao pré-pandêmico (2019–2020). Os óbitos aumentaram 105%, porém a letalidade permaneceu estável. A maioria dos casos foi confirmada por critério laboratorial (65,3%), mantendo proporção semelhante ao longo da série histórica. Observou-se maior crescimento proporcional entre indivíduos da raça/cor preta e concentração dos casos na região Nordeste. Conclui-se que houve aumento sustentado das notificações no período pós-pandêmico, sem incremento proporcional da letalidade, sugerindo influência conjunta da ampliação da capacidade diagnóstica e das repercussões indiretas da pandemia sobre a assistência pré-natal, reforçando a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica e o cuidado materno-infantil.
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